quarta-feira, 6 de abril de 2016

Levando animais - parte 2

Fiquei de fazer uma nova postagem quando toda a documentação do Black estivesse pronta, para contar um pouco de como foi.

Com umas 3 semanas de antecedência, eu liguei no Ministério da Agricultura no aeroporto e agendei nossa visita para fazer o certificado. Não sei se tem que agendar em todas as cidades, mas em Porto Alegre tem que agendar antes e o telefone deles é 3371-4515. Quando eu liguei para agendar basicamente foi dizer que queria fazer o certificado, me perguntaram o horário, e deu, marcado.

No dia, não é necessário levar o animal, só o atestado veterinário que tem que ter no máximo 3 dias. Mas acabamos levando o Black para pesar ele, passear com ele na caixa (ele nunca tinha ficado preso) e ver como ele se comportava.

Chegamos lá com o atestado médico, eles olharam o atestado, olharam a carteira de vacinação, perguntaram o país que a gente estava indo e imprimiram o Certificado. Inclusive perguntamos se eles queriam colocar no certificado o número do chip do Black, mas falaram que como no Canadá não precisa de chip, não precisava dessa informação no certificado.

Antes de sair, perguntamos se precisaria de mais alguma coisa para viajar e o cara disse que às vezes as companhias aéreas pedem uma cópia do atestado, que não deveriam, pois só o certificado bastaria, mas que pedem igual. E ele, super gente fina, tirou uma cópia para a gente do atestado (pois eles ficam com o original). Eu falo sobre essa dica da cópia do atestado no meu post do grande dia aqui, e realmente para a gente a TAM solicitou.

A aduana nos Estados Unidos foi super tranquila, só pediram para ver o certificado do Black e a aduana no Canadá também, além do certificado, tivemos que pagar uma taxa de vistoria do animal.


Primeira semana

A primeira semana, como todo sabem, é super corrida e cheia de novos desafios. Com a gente não foi diferente e ainda estamos tentando nos adaptar à nova casa, rotina, temperatura...

Chegamos super tarde em Montreal no domingo e descobrimos que muita coisa do governo estaria fechado porque segunda era feriado da Páscoa. Então aproveitamos a chuva para organizar nossas coisas, desencaixotamos praticamente tudo no primeiro dia, só faltam algumas coisas. Aproveitamos e fomos na Dollarama, a minha mais nova loja preferida, para comprar o que faltava para casa. Apesar de termos alugado um apartamento todo mobiliado, sempre falta uma coisa ou outra. Para os que anda não conhecem a Dollarama, é uma loja que tem diferentes tipos de produtos, os que não tem preço custam $1, mas podem custar até $3. Quando estivemos aqui em agosto já havíamos estado na loja (e compramos algumas coisinhas).

Ao longo da semana, essas foram as burocracias que fizemos:

- NAS ou SIN (Numéro d'Assurance Social ou Social Insurance Number): É o CPF canadense. Você pode buscar a informação oficial do governo aqui. (Está em francês, pois afinal, en Québec on parle français!) Fomos cedo porque precisávamos do NAS para pedir um cartão de crédito no banco, o atendimento foi super rápido, em 30 minutos saímos de lá com o nosso número. Como comentei no meu post da chegada (aqui), o NAS pode ser feito no aeroporto, mas como chegamos no domingo,o escritório estava fechado. Documentação necessária é o passaporte, confirmação de residente permanente e endereço (no caso nem levamos o contrato de aluguel, só falamos o endereço).

- Assurance Maladie: quando chegamos lá, me senti em uma fila de qualquer instituição pública do Brasil... Sem brincadeira, ficava passando na tela uma propaganda dizendo que eles presavam pelo atendimento e que em 30 minutos atenderiam, mas ficamos 1h e 15min esperando para sermos atendidos. Depois que nos atenderam foi bem rápido, novamente verificaram os documentos (desta vez com o CSQ), nos pediram para assinar vários documentos, depois tivemos que tirar a foto que vai para a carteira (e pagar, por isso levem $) e feito. O processo demorou 15 minutos, mas vão com paciência para esperar...

- Abertura de conta no banco: a gente tinha aberto no Desjardins antes de chegarmos e marcamos um rendez-vous com eles duas semanas atrás para oficializarmos nossa conta. Ficamos uma hora no banco, a pessoa que nos atendeu nos explicou tudo sobre como funciona o sistema bancário canadense, sobre as diferenças de um cartão de débito, que ela nos daria para movimentar a conta, e o cartão de crédito, como funciona o histórico de crédito no Canadá, etc. Nos explicou também que o Desjardins não é um banco e sim uma cooperativa de crédito, onde todos eram associados e teriam direito a participar das decisões da instituição. Por isso também é necessário pagar $5 de cotização quando se faz a abertura da conta. Viu nossa documentação (passaportes, confirmação de residentes, etc.), nos disse que teríamos um ano de isenção da tarifa de conta a começar no dia 01/04 e por isso só deveríamos fazer transações a partir do dia primeiro e fez o pedido de um cartão de credito para a gente. Vou fazer um post separado sobre como funciona o crédito no Canadá, pois acho que vale a pena explicar melhor, principalmente para as pessoas que estão chegando e precisam criar seu histórico de crédito.

- Compra de um chip para celular: não foi difícil comprar, eles pedem que você leve o NAS e o passaporte, principalmente se você vai querer um novo aparelho, eles verificam teu histórico de crédito (ele já começou a ser importante), vão dizer o quanto você pode financiar e quanto precisa pagar pelo aparelho. Acho que o mais difícil foi escolher a operadora, pois todas são muito parecidas. Como eu não queria um aparelho novo, eu escolhi um pré-pago por enquanto (que não é a mesma coisa que no Brasil). Basicamente no pré-pago você paga um valor fixo por mês para manter a linha, mandar SMS ilimitado e receber ligação. Em cima disso, você pode comprar add-on de minutos e internet. Acabei escolhendo a Koodo, pois, nesse modelo, os minutos e a internet não expiram e por isso não preciso recarregar todo mês. Mas se for consumir um pouco mais de internet ou de minutos, já não vale mais apena ter um pré-pago.

- Tradução da CNH no consulado: Para pagamento, é necessário ir no correio e pedir um cheque que se chama Mandat-poste, custa $7. É super simples, só dizer o valor (no caso de se mais de uma pessoa, pode colocar o valor total e pagar só um cheque, então vale a pena) e dizer para quem é, no caso o consulado do Brasil. O valor da tradução no consulado é $22,50. A gente levou o cheque e cópia da CNH e do passaporte no consulado brasileiro, eles conferiram com o original e em uma semana está pronto. Super simples e necessário para tirar o permit de conduire canadense.

Foi uma semana super cheia e cansativa, e semana que vem continuamos a saga de apartamentos para 01/07.

quarta-feira, 30 de março de 2016

O grande dia

Então o dia D chegou e foi muito mais tranquilo do que eu esperava.
Nosso voo era uma jornada, saindo às 14h40 de sábado de Porto Alegre e chegando em Toronto às 14h do domingo. Vou tentar contar como foi tudo em detalhes, então o post será longo... :)

Chegamos no aeroporto com 3h de antecedência pois tínhamos que despachar o Black e nos avisaram para chegar cedo. Foi bom também porque levamos nossas coisas em caixas e a TAM pediu para abrir todas as caixas para revisar. Então dica para quem vai levar caixas, chegue com tempo (e paciência).

Ficamos fácil 30 minutos fazendo o check-in. Ela começou com a documentação do Black, revisou o Certificado e pediu uma cópia do atestado. Ainda bem que quando fomos fazer o Certificado, a pessoa que nos atendeu no Ministério da Agricultura disse que às vezes a companhia aérea pede cópia do atestado e ele fez uma cópia para a gente. Mais uma dica, fiquem com uma cópia do atestado veterinário! Pelo visto, era a primeira vez que ela fazia o despacho de um animal, pois tudo ela perguntava para uma colega, eu achei super demorado, mas... Depois ela fez o check-in em si, viu os vistos americanos e me perguntou sobre a passagem de volta e eu disse que não tinha pois estava imigrando para o Canadá, que ela podia ver o visto de imigrante. Ela estava bem insegura e perguntou para a outra se podia mandar a gente assim mesmo sem passagem de volta. Ainda bem que a outra disse que achava que sim porque senão ela ia escutar... hehehe. Enquanto isso, o Eduardo estava com um outro funcionário da TAM abrindo e pesando as caixas. Depois do check-in, ainda conseguimos ficar um bom tempo com o Black e só despachamos ele antes de entrar no raio x, 40 minutos antes do voo.

Como a regra de despacho de animal da TAM é de retirar o animal em conexões com mais de 6h, fizemos uma parada em GRU de 6h20min. Foi bem tranquilo retirar o Black, passamos no check-in nacional da TAM e eles localizaram o Black, só foi demorado alguém ir buscá-lo. Foi super bom para ele (e para nós) essa parada, pois pudemos alimentá-lo, dar água, passear e, além disso, conseguimos nos despedir da família do Edu em São Paulo. Com essa parada, o Black estava bem e a gente tranquilo por ter conseguido ver ele. Fomos despachá-lo novamente na parte internacional 2h antes do voo. E aí fica minha terceira dica, cheguem mais cedo. Mesmo com tudo pronto, foi uma loucura porque a mulher não achava o NOTOC (que é o documento para transporte de animal) e não sabia o que fazer, ficou super perdida. Ficamos quase 1h lá até ela conseguir falar com o portão e achar o documento. Depois disso, ainda tive que entregar a caixa na bagagem fora do padrão. Só não tivemos que correr, porque a imigração em São Paulo estava bem vazia, mas entramos no raio x faltando 1h para o voo.

Eu estava tão cansada que nem jantei, dormi, apaguei. O Eduardo ainda conseguiu ver um filme. O vôo teve um pouco de turbulência e eu só pensava como o Black estava...

Enfim, chegamos em Nova Iorque para nossa conexão, a fila da imigração estava gigante e demorou horrores (1h), falamos que estávamos imigrando para o Canadá e tínhamos um cachorro, foi bem tranquilo (eu nunca tive problema nos EUA) e quando chegamos para pegar nossa bagagem, o Black já estava esperando e chorando muito, muito agitado também. Tivemos que passar pela aduana, o cara só olhou o certificado do Black, e depois tivemos que entregar as caixas e o Black nas bagagens especiais. Esperamos um funcionário do aeroporto ir nos buscar, deixamos as caixas no check-in da TAM, e passamos pelo raio x com ele para poder entregar o Black. Só tiramos ele da caixa para inspecionarem a caixa, ele estava agitado demais, eu sabia que ele queria fazer xixi e tomar água, mas não tinha onde. Depois do raio x, o cara levou o Black para o portão para despachar ele e eu só consegui dar um pouco de comida, nada de água para o coitado.

O vôo para Toronto atrasou. Chegamos 1h depois do previsto. Eu estava super preocupada com o Black e louca para que as a imigração fosse rápida.

Quando chegamos, perguntamos para mulher em qual fila deveríamos entrar (visitors ou canadenses) e ela nos mandou para a fila de canadenses! :) No Boarder Control, tivemos que mostrar os passaportes com visto e a declaração de aduana. Falamos que estávamos imigrando, ela perguntou o que estávamos trazendo porque marcamos que sim na opção frutas, sementes e animais, falamos que trazíamos um cachorro, ela escreveu no papel DOG, e quanto de dinheiro, pois marcamos que tínhamos mais de $10mil. Ela perguntou se tínhamos bebida ou tabaco, e a gente disse que não. Outra dica, cuidado com os limites no Canadá de álcool e tabaco, os produtos proibidos e declarem tudo que trouxerem, vimos um oriental na aduana com carne e eles queriam cobrar dele $400 se ele pagasse na hora ou $800 se ele pagasse depois! Melhor declarar tudo!

Fomos depois para a salinha de vidro que é onde todos os imigrantes (temporários ou permanentes) são encaminhados. Lá eles nos pediram os passaporte, o papel de confirmação de residente permanente e o CSQ. Fez algumas perguntas (como se já havíamos sido condenados de um crime ou se tínhamos algum dependente, se íamos morar no Quebec, endereço, etc.) e depois disse que ela tinha que checar as informações, pediu para que sentássemos. Juro que ela foi tão rápida que só deu tempo de conectar na internet do aeroporto, avisar às famílias que tínhamos chegado e nossos amigos que estavam esperando e ela nos chamou. Explicou o que precisávamos fazer para manter o status de residente no Canadá, pediu para que assinássemos a documentação e voilá... Welcome to Canada! Dica para quem chega durante a semana, aproveitem e já façam o NAS  (Numéro d'Assurance Social ou em inglês, Social Insurance Number - SIN) no aeroporto. Como chegamos no final de semana estava fechado. Pegamos uns guias para novos imigrantes e saímos correndo para pegar o Black.

Ele estava latindo menos que em Nova Iorque, provavelmente porque tinha feito xixi na caixinha, mas estava todo triste e chorando, provavelmente com medo. Passamos na aduana e foi bem burocrático. Entregamos o formulário para o cara, ele olhou e perguntou quanto de dinheiro trazíamos, ele só digitou e pronto. Perguntou sobre os bens que íamos trazer depois, ele revisou, digitou, tirou cópia e nos entregou uma cópia, e falou claramente que qualquer coisa que não estivesse ali e entrasse depois teríamos que pagar imposto. Por isso, próxima dica, façam a lista bem detalhada de tudo que virá depois, mesmo que depois vocês decidam não trazer. Eu perguntei sobre valores que queria transferir depois e ele disse que seriam somente bens que chegariam depois. Depois disso, ele fez a documentação do Black, um fomulário que tivemos que preencher (vou ser sincera que não pesquisei se na internet tem esse formulário, para agilizar, mas ele fez na hora), olhou o certificado, tivemos que pagar a taxa de inspeção que foi $30 + tax (deu $3,90 de taxa). Dica, quem for levar animal, tenham CAD em mãos. E depois disso ele nos liberou.

Saímos, aliviados (principalmente o Black)! O coitadinho estava há horas sem beber água, quando soltamos ele no estacionamento do aeroporto, ele saiu caminhando parecia que não ia parar nunca e tomou quase meio litro de água. Depois que entramos no carro para ir até Montreal, ele já estava mais tranquilo e acabou até dormindo na viagem.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Declaração de Porte de Valores

Faltando 8 dias para o Dia D, estamos fazendo bastante coisas nos últimos dias.
Hoje foi o dia de fazer a declaração de porte de valores, caso você vá sair do país com mais de 10 mil reais em dinheiro (independente da moeda). Lembrando que esse valor é por CPF, então cada pessoa pode levar em espécie até 10 mil reais.

A declaração é bem simples de ser feita, todas as informações sobre a mudança da declaração, que passou a ser eletrônica agora, estão no site da Receita Federal, pode ser acessada aqui.

Você encontra a declaração eletrônica aqui, é só selecionar o tipo de declaração (no nosso caso, Declaração de Saída de Valores) e criar uma nova declaração. Vão perguntar o meio de transporte e o valor/moeda que está levando. Depois, é necessário preencher os seus dados (nome, CPF, passaporte) e vôo, data e local de saída do Brasil. Lembrando que é de saída, ou seja, da cidade que você está deixando o Brasil. Caso tenha um trecho interno no Brasil, não conta. Salva e transmite.

Você receberá a mensagem de que precisa ir até a fiscalização aduaneira e apresentar os valores.

No site da Receita (aqui) você encontra também as informações de como preencher. Achei super tranquilo!

segunda-feira, 7 de março de 2016

Seguro Saúde - Minha opção pela Croix Bleue

Como começaram a questionar nos fóruns do Facebook sobre o seguro e comentaram no blog para fazer uma postagem sobre isso, resolvi escrever hoje sobre o seguro que escolhi.

Vou ser bem sincera que não pesquisei MUITO sobre o seguro, vi alguns principais, inclusive alguns que foram recomendados como os melhores seguros internacionais pelo Melhores Destinos (falo aqui sobre esses seguros) e acabei levando os seguintes pontos para tomar decisão:
- Preço (todo centavo conta nessas horas);
- Valor da cobertura;
- Se as despesas eram por reembolso ou não.

Acabei optando pela Croix Bleue por ser o menor valor que encontrei e porque eles pagam diretamente a hospitalização, não como em alguns lugares que é feito via reembolso e que poderiam nos levar a falência caso a gente precise de hospital.

A Croix Bleue tem um plano específico para novos imigrantes, vocês podem ver mais informações aqui. São informações oficiais do plano. O menor plano deles é de 50mil CAD. Eu acabei optando por uma opção de 100mil CAD. Além de hospitalização, médico de urgência, ainda inclui reembolso de dentista de urgência e viagem.

Tentei achar alguém que tivesse usado o plano, mas não achei ninguém. Gostaria de saber mais informações sobre como foi usar o plano.

O post foi rápido, mas esse e um ponto que eu pesquisei bem pouco mesmo!

sábado, 5 de março de 2016

Só 21 dias...

E o tempo voa...
Faltam 21 dias para a nossa viagem... E parece que não vai dar tempo de fazer tudo...

Voltamos das férias (que foram para descansar mesmo) e tinham vários envelopes do Canadá para a gente, foi aquele frio na barriga e a volta para essa realidade que sim vamos partir em breve. Já com seguro na mão, extrato do banco canadense.

Ontem foi nosso último dia de trabalho e as despedidas começaram. Li em algum blog (agora não vou lembrar) para começar as despedidas cedo, para dar tempo de ver todas as pessoas. Achei essa dica bem importante e já fizemos as nossas. Claro que na véspera da viagem convidei os amigos  mais próximos e familiares para virem aqui em casa.

Essa semana vamos focar nos últimos médicos (que estavam de férias!) e no resto da burocracia.




quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

In love...


Não tenho tido muito tempo de postar nada, estou numa correria entre vender o que falta, separar livros para doação, colocar tudo em caixas, trabalhar e finalizar o SIEL. Mas vim rapidinho dizer que cada vez mais eu fico feliz com a nossa escolha de imigrar para o Canadá.

Algo que sempre busquei no país para viver é a diversidade cultural e tenho visto cada vez mais isso real na minha vida canadense. Hoje fazendo o SIEL, falando de diversidade cultural do Quebec, eu vejo a frase la diversité est une richesse. Como não amar um país que pensa assim? :)